Consignação no RENAVE: o que já funciona no ambiente de teste

Se a sua loja trabalha com consignação, você conhece a cena. O carro fica no seu pátio, aparece nos seus anúncios, sai para test drive com o cliente, mas o documento continua no nome do dono. O veículo é seu para vender e não é seu para nada mais.


Até agora, o RENAVE não tinha uma resposta clara para esse arranjo. O sistema foi desenhado em cima da ideia de que a loja compra o carro, registra a entrada no estoque e depois registra a saída para o comprador final. Consignação não é compra, e é aí que a conta não fechava.


Isso está mudando. Nós entramos no ambiente de teste do RENAVE e a consignação já está lá, com o ciclo inteiro respondendo: contrato, assinatura, entrada em estoque, venda e até o caminho de volta para quando o negócio não acontece.


Por que a consignação era o ponto cego do RENAVE


A lógica do RENAVE é direta. A loja compra, registra a entrada, e o veículo passa a constar no estoque digital da empresa sem precisar ser transferido para o CNPJ dela. Na hora da venda, a loja registra a saída e a propriedade vai direto para o comprador.


Na consignação, esse primeiro passo simplesmente não existe. Não houve compra, não houve pagamento ao dono, e o carro segue no nome dele. A loja tem a posse e a autorização para vender, não a propriedade.


O efeito prático é que uma parte relevante do estoque ficava fora do controle digital. O carro comprado entrava no RENAVE, o carro consignado ficava no contrato de papel dentro da gaveta.


O que encontramos no ambiente de teste


Ambiente de teste é onde as funções são publicadas antes de liberar para produção. Serve para as integradoras desenvolverem e validarem a integração antes de a coisa valer para valer. O que está lá costuma ser o desenho quase final, mas ainda pode mudar.

No ciclo de consignação, isto já responde:


  • Geração do contrato de consignação dentro do próprio sistema, em vez de documento avulso
  • Assinatura eletrônica do contrato pelas partes
  • Entrada do veículo consignado no estoque da loja
  • Envio do ATPV-e assinado na hora da venda
  • Solicitação de saída do veículo do estoque
  • Cancelamento da consignação e termo de distrato, para quando o dono desiste ou o prazo acaba


Começo, meio e fim. Não é um pedaço solto de funcionalidade: é o fluxo completo, incluindo a parte que quase sempre fica de fora, que é o desfazer.


O que muda na prática para a sua loja


Três coisas, se confirmar do jeito que está no teste:


O carro consignado passa a existir no estoque digital. Mesmo sem compra, o veículo entra no RENAVE vinculado ao seu CNPJ, com data e registro. Seu estoque real e seu estoque no sistema voltam a ser a mesma coisa, o que já ajuda na gestão e na contabilidade.


O contrato sai da gaveta. Contrato gerado e assinado dentro do fluxo significa menos modelo de Word adaptado às pressas, menos ida ao cartório e menos discussão sobre qual era a combinação com o dono do carro.


A desistência ganha um caminho. O termo de distrato resolve o problema mais chato da consignação, que é o dono aparecer pedindo o carro de volta na semana em que você finalmente fechou o anúncio.


O que ainda não está definido


Aqui vale ser direto, porque notícia de sistema de governo envelhece rápido e promessa cheia de detalhe é o primeiro sinal de que alguém está chutando.


  • Não há data anunciada para a consignação entrar em produção.
  • Não localizamos publicação oficial tratando especificamente da modalidade.
  • Não se sabe se haverá taxa própria para o registro de consignação.
  • Ambiente de teste é ambiente de teste. Campos, nomes e regras podem mudar antes de virar produção.
  • Também não está claro se todos os DETRANs integrados vão receber a modalidade ao mesmo tempo.


Então se alguém te garantir mês e ano para a consignação no RENAVE, desconfie.


O que fazer hoje


Nada muda na sua operação esta semana. O que muda é o que vale a pena deixar pronto para quando mudar.


Consignação vai rodar dentro do RENAVE, e o RENAVE roda para quem está credenciado. Se a sua loja ainda não concluiu o credenciamento, é essa a fila em que vale entrar agora, principalmente porque o RENAVE já é obrigatório para todas as revendas do país.


Se você já está credenciado e trabalha com consignação, o passo é outro: pergunte para a sua integradora se ela está acompanhando o ambiente de teste. Quem só começa a desenvolver depois de a função virar produção vai te entregar consignação meses depois de quem já está testando.


  • A consignação já vale no RENAVE hoje?

    Não. O que existe é o fluxo publicado em ambiente de teste, usado por integradoras para desenvolver a integração. Enquanto não entrar em produção, a consignação da sua loja continua como está.

  • Vou precisar transferir o carro consignado para o nome da loja?

    Pelo que vimos no teste, não. A ideia é a mesma do resto do RENAVE: o veículo entra no seu estoque digital sem passar para o CNPJ da loja.

  • E o contrato de consignação que eu já uso?

    Continua valendo hoje. A novidade é o sistema passar a gerar e assinar o contrato dentro do fluxo, o que tende a padronizar o que hoje cada loja faz do seu jeito.


  • Como eu vou saber quando entrar em produção?

    Pelo canal oficial e pela sua integradora. Quem acompanha o ambiente de teste sabe antes, e costuma avisar o cliente antes.


Resumindo


A consignação sempre foi a parte da revenda que o digital não alcançava. O ciclo completo já responder em ambiente de teste é a primeira indicação concreta de que isso vai mudar: contrato, assinatura, entrada, venda, cancelamento e distrato, tudo dentro do sistema.


Não tem data e não tem norma publicada, então não vale reorganizar a operação por causa disso agora. Vale garantir que, quando abrir, sua loja não esteja de fora por falta de credenciamento.


Quer conferir se a sua loja está pronta? Comece pelo passo a passo do credenciamento no RENAVE.

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